Tom adotado por chanceler de Israel é 'briga de bar e denota desespero', avalia chancelaria de Lula

Tom adotado por chanceler de Israel é 'briga de bar e denota desespero', avalia chancelaria de Lula
Permanência de embaixador de Israel no Brasil dependerá de “neutralidade”: “se for a manifestação pró-Bolsonaro pode fazer as malas”. Lula durante entrevista coletiva no domingo (17) em Adis Abeba, na Etiópia. Fala que comparou a morte de palestinos ao Holocausto foi repudiada pelo governo de Israel
Ricardo Stuckert/PR
A manifestação incisiva do chanceler de Benjamin Netanyahu, primeiro-ministro de Israel, contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) acabou por cristalizar a percepção no governo de que o presidente não deverá recuar da declaração que gerou um impasse entre Brasil e Israel.
Lula, como se sabe, comparou a ofensiva em Gaza, que vitimou mais de 30 mil palestinos, ao plano de Hitler de exterminar os judeus na segunda guerra.
“O tom do chanceler é de briga de bar, inacreditável. Denota desespero. Eles esperavam notas e notas de repúdio à fala do Lula. Não tiveram. O que houve foi um porta-voz dos Estados Unidos, questionado numa coletiva, dizer que discorda do Brasil. Em diplomacia isso é igual a nada”, diz um formulador importante da política externa de Lula.
O futuro das relações com o governo Netanyahu está em suspenso. Lula tem sido orientado a ressaltar que falou sobre a política do premier israelense, não dos judeus, mas aguarda os próximos movimentos do país e de seus representantes para se posicionar.
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Inclusive a do embaixador de Israel aqui no Brasil, que fez questão, em diversos momentos, de externar sua preferência pelo bolsonarismo. “Se houver manifestação pró-Bolsonaro, ele pode fazer as malas”, assegura a fonte da chancelaria.
O recado chegou à embaixada, que emitiu nota nesta quarta (21) assegurando neutralidade nas questões da política nacional.

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