Polícia afirma que bebê recém-nascida é filha de adolescentes e que abandono foi inventado; entenda

0
O SEU JORNAL

De acordo com a Polícia Civil, o próprio pai da criança, de 16 anos, entregou o bebê na UPA, mentindo sobre ter encontrado a criança na rua. Nessa situação, como a criança foi entregue ao hospital e não abandonada na rua, o caso não deve mais ser investigado como abandono de incapaz. A Polícia Civil afirmou, na tarde desta terça-feira (11), que conseguiu identificar dois adolescentes que são os pais da bebê recém-nascida que foi entregue em uma Unidade de Pronto Atendimento, no último domingo (9).
Até então, acreditava-se que a criança tinha sido abandonada, numa caixa de papelão, na zona sudeste de São José dos Campos e levada por duas pessoas até a UPA. Segundo a polícia, o próprio pai da criança entregou a bebê e inventou a história do abandono.
“Nós conseguimos chegar na mãe da criança, bem como no pai da criança. São dois adolescentes que, segundo as informações prestadas, ainda informalmente pela mãe, ela não sabia que ela estava grávida. E o namorado também não sabia que ela estava grávida. Na hora de tomar banho essa criança acabou saindo. Ele, desesperado, chamou a irmã mais velha, que é maior de idade, cortaram o cordão umbilical, levaram até o UPA do Putim e contaram essa história toda que a gente descobriu que não era verdade”, afirmou o delegado Régis Germano.
Segundo as investigações, a mãe da criança tem 17 anos, e o pai 16. O caso, que era investigado como abandono de incapaz, tomou novos rumos a partir da descoberta.
“Nós poderíamos estar diante de outros delitos: uma tentativa de aborto, consentido ou não. Se ela estava sob a influência de um estado puerperal, poderia ser uma tentativa de infanticídio. Nós vamos requisitar os exames necessários. Nós vamos também mandar ofício pro sistema SUS, ver se essa pessoa nunca fez um pré-natal. Então a gente depende de várias outras investigações pra que a gente possa formar um conjunto probatório firme, consistente e levar à justiça”, completou o delegado.
A Rede Vanguarda conversou com a avó materna da recém-nascida. A identidade não será revelada porque o Estatuto da Criança e do Adolescente garante a preservação da imagem e da identidade de menores. E, ao revelar o nome da avó, indiretamente, a mãe e a bebê seriam identificadas.
A avó afirma que só soube do caso ontem, porque não passou o fim de semana com a filha. Segundo a avó, a filha relatou que teve muita cólica no fim de semana. E que, depois de uma pesquisa na internet, decidiu tomar banho quente para amenizar a dor.
“Só que quando ela tava tomando banho, ela falou que doeu muito. Ela sentia como se tivesse alguma coisa saindo de dentro dela. Aí ela fechou o chuveiro, foi andar um pouquinho no quarto, só que voltou toda a dor. Aí ela voltou pro chuveiro e começou a sentir a dor do parto. Ela começou a gritar, gritar. O namorado dela estava dormindo, a cunhada estava dormindo. Eles acordaram e vieram. E quando vieram ela já estava com nenenzinho na mão”, afirmou a avó da criança.
“Foi quando o namorado dela entrou em desespero, cortou o cordãozinho, junto com ela (cunhada) e levou pra UPA. Só que ela (a mãe da bebê) estava meio sonolenta, que ela tinha acabado de sair do trabalho de parto e não estava assimilando o que estava acontecendo. E chegou lá no Putim, eles – por medo – mentiram. Falaram que encontraram numa caixa, né. Só que não foi. Foi uma história inventada”, narra.
A criança está sob a guarda do Conselho Tutelar. E caberá ao juizado da infância decidir se a bebê – que está internada, mas não corre risco – voltará para a família.
“A partir do momento que nós descobrimos que a netinha era nossa, nós já fomos atrás. Nós queremos a nossa netinha de volta. E nós vamos lutar até o fim pra ela voltar. Porque ela não foi abandonada”, afirmou a avó da bebê.
Veja mais notícias do Vale do Paraíba e região bragantina

Sobre o Autor

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *