Multipluralismo marca a 2º edição do Fórum Global da Nova Economia Mundial

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A segunda edição do Fórum Global da Nova Economia Mundial, sob a organização do charman e jornalista Victor Borges, aconteceu por transmissão online entre os dias 23 a 25 de novembro, na capital amazonense, e contou com o apoio institucional da Abraccos (Associação Brasileira dos Comunicadores e Colunistas Sociais), presidida por Fernando Fischer.

Ao término do Fórum, Borges congratulou os convidados e agradeceu pela participação e exponencial contribuição de todos. “O resultado foi extremamente positivo, com um Fórum multifacetado e plural. E a escolha de Manaus se deveu também para oferecer mais destaque a Amazônia nas discussões em torno dos melhores caminhos e soluções para o futuro do planeta”, declarou Borges.

O evento trouxe à luz inúmeras questões preponderantes no contexto da nova economia mundial pós-pandemia, tendo no cerne da maioria dos debates as consequências da Covid-19, que gerou a pior crise em quase um século, expondo e ampliando as desigualdades e fragilidades da população global, em especial, dos países menos desenvolvidos.

Além dos efeitos em decorrência da guerra na Ucrânia, que causaram insegurança alimentar, danos ambientais, provocaram uma crise energética e colocou em risco a segurança do mundo. Os temas foram divididos em painéis que se correlacionaram e se alinharam a partir dos motes principais.

Dentre eles, Economia global e verde; Sustentabilidade, Desenvolvimento Econômico e Inclusão Social (ESG); Segurança alimentar; Desigualdade social; Biodiversidade e a Amazônia; Mudanças climáticas; Negócios; Indústria; Mulher; Indígenas; Negros; LGBTQIA+; Juventude; Educação; Inclusão digital; Judiciário; Esportes e Games; Tecnologia; Ciência; Saúde; Epidemias; Longevidade e Mídia.

A vertente das palestras se concentrou ainda na interligação e dimensão de todos estes setores na busca de objetivos para fundamentar as novas bases, soluções, qualidade de vida, energia limpa, erradicação da fome e equidade em prol de uma sociedade mais igualitária e sustentável.

Na abertura, os Ministros do Supremo Tribunal de Justiça (STF), Alexandre de Moraes e Rosa Webber discursaram sobre a defesa da democracia e o combate a violência a mulher e minorias com políticas e ações públicas. A primeira parte da Cúpula teve a participação ilustre de autoridades nacionais e internacionais de 30 países, com Chefes de Poderes, Ministros, Embaixadores e representantes dos Povos indígenas.

A Vice-Governadora de Pernambuco, Luciana Santos, à frente do programa contra o machismo em parceria com o Grupo Neoenergia, apontou a importância de projetos voltados para mulheres e ressaltou sobre o programa que mantém turmas exclusivas para o público feminino na formação de eletricistas e tem o reconhecimento das Nações Unidas. Já a Governadora do Piauí, Regina Sousa, falou sobre a criação do programa de auxílio aos mais necessitados, acesso a água, visibilidade e assistência ao público LGBTQIA .

As autoridades apresentaram as ações, projetos, recursos, compromissos e perspectivas futuras em seus países com a economia sustentável, além do interesse em expandir ou formar novas parcerias. O adido agrícola da Embaixada de Israel, Ary Fischer, destacou sobre o desenvolvimento do projeto de biodigestores em escolas brasileiras.

Para o embaixador da Áustria, Stefan Scholz, o Brasil tem todo o potencial para se tornar uma grande economia verde. Assim como o significativo desenvolvimento do hidrogênio verde, o combustível do futuro, possibilitado pelas ótimas condições da região Nordeste, que se encontra na rota do mercado mundial.

Fala esta reiterada pelo presidente da Câmara Brasil-China, Charles Andrew Tang, que comentou a criação de um Brasil mais verde. “O hidrogênio vai substituir os combustíveis fósseis num futuro talvez não tão distante”, aposta.

O Conselheiro adjunto da Embaixada norte-americana, David Bargueno, defendeu a relevância de acelerar a transição energética e a conservação da biodiversidade da Amazônia. “Não se trata de uma questão necessariamente biológica, mas socioeconômica, de consciência, para que o desenvolvimento limpo e a proteção em conjunto dos países ajudem a baixar e proteger tanto a Amazônia como os povos indígenas.

A parceria do Brasil e dos EUA irá tratar disso”, assegurou Bargueno. A Índia, representada pelo Dr. BC Pradhan, pontuou o avanço tecnológico como o meio primordial para atingir a redução de emissão de carbono e alcançar uma vida mais sustentável.

O Ministro Conselheiro da Embaixada da Espanha, Álvaro Antonio Díaz Duque, afirmou que apenas com o maior compromisso político poderemos obter de fato resultados concretos, sendo necessária a mobilização de recursos públicos e privados para desenvolvimento neutro.

O ex- Ministro do Meio Ambiente de Portugal, Carlos Martins, explanou a respeito dos benefícios das políticas públicas nesta área em seu país, que se fundamentou num plano estratégico com regras ambientais na década de 90 e que trouxe mudanças substanciais nas condições dos lixões, aterros sanitários, adoção de infraestruturas em reciclagens, tratamentos da rede de esgoto, incentivo a energia limpa, educação ambiental entre tantas outras medidas.

“Os resultados são eficazes. E estas políticas seguem independente de quem assuma o nosso governo. Faz parte da agenda de qualquer dirigente”, garantiu Martins.

A representatividade da comunidade indígena esteve a cargo de Beto Marubo, líder indígena do Vale do Javari, onde foram mortos o indigenista Bruno Pereira e o jornalista Dom Phillips e, pela escritora e advogada da tribo dessana, Bete Morais, de Rio Negro, região situada no Amazonas.

“O quadro da floresta é alarmante, mas o movimento indígena sempre esteve à disposição na proteção das terras. Protetores são assassinados e há omissão e cinismo, inclusive, de várias nações, que dizem estar protegendo, mas compram produtos que geram a degradação da Amazônia.

Existe na verdade dois discursos. Precisamos de um discurso coerente de fato naquilo que pretendemos para a humanidade e os povos indígenas são fundamentais para esse desenvolvimento. No Brasil não há reconhecimento da importância da população indígena, consideram nosso povo um retrocesso.

Continuamos invisíveis e a política do governo atual só reforçou isso”, acusou Marubo.  Bete também endossou o debate e revelou ainda sua experiência empírica. “É uma desvalorização da cultura local e tradicional.

Falta apoio municipal, estadual e federal nas economias familiares, além da ausência de cooperação das instituições e dificuldade das oportunidades chegarem às localidades mais distantes das regiões amazônicas. Fora o aumento do tráfico e de grileiros que tomam conta da região”, denunciou.

A juventude teve como representante Amanda Jimenez, da ONG Jovens pelo Clima, inspirados pela adolescente sueca Greta Thunberg. Ela argumentou que as manifestações e os movimentos são essenciais para as mudanças das políticas públicas dos governos para o clima.

Nas diversas pautas sobre negros, mulheres e comunidade LGBTQIA foram abordadas as políticas que são desenvolvidas por governos e organizações privadas para garantir o acesso a postos de chefia e liderança desses grupos, a funcionalidade das leis, o investimento em equidade de gênero, inclusão, respeito à diversidade, o combate a violência, racismo e discriminação, com o apontamento dos grandes desafios que precisam ser enfrentados e as transformações que devem ser adotadas.

O painel teve a participação destas categorias com a Juíza Auxiliar da Presidência do STF e CNJ, a Dra. Amini Haddad Campos Barbara Krysttal, a Dra.

Gislaine Nunes (co-autora da Lei Pelé), a consultora em Políticas Públicas Dra. Florencia Ferrer, o Secretario-geral da Mesa da Câmara dos Deputados Dr. Ruthier Sousa, a publicitária e consultora Gil Castilho, Rafaelly Wiest (diretora da Aliança LGBTQIA ) e a advogada Cristina Neves, presidente da Associação Elas Pedem Vista. “Existem conquistas jurídicas, mas o Brasil ainda é o país que mais mata pessoas LGBTQIA ”, disse Wiest.

Os debates focados nos blocos econômicos e acordos comerciais, combate à inflação, segurança alimentar e agricultura sustentável teve Rafael Zavala, representante no Brasil da FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura), o mestre em Direito Público e consultor Marcelo Knopfelmacher, o Prof. de Relações Internacionais Marcus Vinícius de Freitas, Dr. Miguel Lins da  Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior (FUNCEX) e o Pesquisador da Universidade de Harvard e Conselheiro Consultivo Internacional do Centro Brasileiro de Relações Internacionais, Hussein Kalout. “Temos que levar em consideração a segurança do indivíduo e para tal precisamos conseguir a paz climática”, considerou Kalout.

Já o Presidente da AfroChamber, Câmara de Comércio Afro-Brasileira, Rui Mucaje,  indicou as oportunidades de negócios e investimentos com o mercado brasileiro, que pode ser um grande parceiro do Continente Africano. “O modelo chinês criou tecnologias.

O Brasil não pode se contentar somente com a questão agrícola como mola propulsora do país” salientou Freitas.  Knopfelmacher acrescentou que o país precisa se inserir novamente no cenário global e não ficar apenas como exportador de commodities. “É preciso investir na integração com o grupo do BRICS e trocar tecnologias”, avaliou.

As discussões no cenário da Educação ficaram marcadas pelo impacto e os desafios educacionais na pós-pandemia, empreendedorismo e inclusão digital, novas tecnologias e o trabalho no novo normal. O Ministro da Educação brasileiro, Victor Godoy, destacou a criação de um comitê durante a pandemia para acompanhar todo o processo educacional, para dar suporte e reduzir os seus impactos.

O Pró-Reitor da UNESP, Raul Borges Guimarães, explicou que a pandemia trouxe um expressivo crescimento na interação remota, no entanto acirrou a desigualdade e aumentou o distanciamento das comunidades mais pobres das classes privilegiadas.

Na Saúde os temas se centraram em longevidade, eterismo, neurociência, indústria farmacêutica, falta e desabastecimento de insumos, acesso com equidade de medicamentos aos países, descentralização dos parques de produção de fármacos, pesquisa científica e o esforço internacional comum que deve se posto em prática contra novas pandemias e como a destruição do meio ambiente propicia o surgimento de novos vírus.

O general Marco Antônio Martin, coordenador do Telessaúde do Brasil, explicou que a implementação do programa na pandemia colaborou com o atendimento médico e a vacinação de pessoas em áreas remotas e de difícil acesso, como nas comunidades ribeirinhas e indígenas e assinalou que para a concepção do Telessaúde a tecnologia foi fundamental.

Em relação ao panorama dos combustíveis fósseis, os convidados apresentaram os investimentos privados, o mercado de reciclagem, os produtos sustentáveis e as  políticas dos governos nacionais e internacionais para o incentivo de novas fontes de energias renováveis, como a eólica, o hidrogênio verde, o gafreno, a energia solar, entre outras.

“O Brasil tem um potencial notável para a produção de energia renovável assim como no estimulo a economia azul, que promove o crescimento econômico baseado na preservação dos ecossistemas marinhos e na sustentabilidade ambiental. Temos muita capacitação para a transição energética”, citou Rodolfo Sabóia, Diretor geral da Agência Brasileira de Petróleo.

O Fórum Global da Nova Economia Mundial finalizou com os debates em torno do papel da imprensa, liberdade de opinião, controle de mídias sociais, influências sobre as fontes de informação ao cidadão e as fakenews no contexto global de comunicação.

O Gal. Otávio Rêgo Barros, ex-porta-voz presidencial e colunista do UOL e do jornal Correio Braziliense, apontou que hoje produzir notícia ficou a cargo de qualquer individuo. “Nossa sociedade esta perdida na quantidade de informação e tem dificuldade em filtrar o que é realmente relevante.

Temos que estimular o pensamento crítico no cidadão comum. Já o jornalista precisa checar, checar e checar!”, enfatizou Barros. Para Edmar Figueiredo, da Associação de Correspondentes Estrangeiros, a necessidade também de checar e apurar as informações está muito mais alta e isso exige mais da experiência desses profissionais.

E o sociólogo Carlos Muanis foi categórico ao afirmar que a desinformação é prejudicial à democracia. O enceramento do evento contou com um vídeo do ex-presidente do Brasil, José Sarney, no qual enalteceu e defendeu a liberdade de imprensa. “Defender a liberdade de imprensa é defender a democracia. A democracia tem dois corações, um é o Congresso e o outro é a liberdade”, concluiu.  Via Diário de Pernambuco

 

 

 

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