Forças Armadas tiveram 'comportamento decepcionante' ao levantar 'desconfianças' sobre eleições, diz Barroso

Presidente do STF concedeu entrevista ao programa Conexão, da GloboNews, nesta quarta. Magistrado comentou participação de militares em Comissão de Transparência das eleições. Barroso diz que Forças Armadas tiveram ‘comportamento decepcionante’ ao levantar ‘desconfianças’ sobre eleições
O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Luís Roberto Barroso, afirmou nesta quarta-feira (21) que as Forças Armadas tiveram um “comportamento decepcionante” ao levantar “desconfianças” sobre o processo eleitoral brasileiro.
Barroso deu a declaração durante entrevista exclusiva ao programa Conexão, da GloboNews. Ele comentou sobre a participação de militares em uma comissão de fiscalização das eleições, criada quando o magistrado presidiu o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Segundo Barroso, havia um discurso do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) “levantando suspeitas” sobre a votação eletrônica.
“Para enfrentar esse problema, eu montei uma Comissão de Transparência porque nós não tínhamos nada a esconder. E chamei diversos segmentos representativos da sociedade […]. Chamei as Forças Armadas, e preciso dizer, lamentando muito, que tiveram um comportamento bastante decepcionante”, disse.
“Chamei para dar transparência, para ajudar na segurança, para prestigiar a instituição e eles acabaram sendo manipulados para levantar desconfianças e suspeitas infundadas”, completou o magistrado.
LEIA TAMBÉM:
Presidente do Supremo lamenta politização indevida das Forças Armadas
Barroso diz que STF não julgará descriminalização do aborto
Holocausto é tema que não pode ser ‘banalizado’, diz Barroso
País terá de lidar com ‘deep fake’ nas eleições
Para o ministro do STF a participação dos militares na comissão foi “muito frustrante”. “Prova de que uma má liderança faz muito mal para uma instituição”, declarou.
Ele destacou, no entanto, que, apesar de terem procurado falhas no processo, os militares não encontraram fraudes, o que acabou sendo, na avaliação do ministro, algo “legitimador” das eleições .
“Apesar de tudo, apesar de terem tentado levantar suspeitas, procurado incansavelmente alguma coisa errada, tiveram que fazer um relatório dizendo ‘não achamos”, afirmou.
“No final das contas, foi altamente legitimador do processo eleitoral você ter alguém lá dentro procurando alguma coisa errada. Se você vê as gravações, eles reclamam ‘ninguém conseguiu encontrar nada, que coisa horrível, temos que encontrar alguma coisa'”, concluiu Luís Roberto Barroso.

Deixe comentário

Seu endereço de e-mail não será publicado. Os campos necessários são marcados com *.