Covid-19 reativa vírus latentes no corpo
O estudo foi liderado pelos professores Anders Rosén e Eirini Apostolou. Foto: Anna Nilsen/Linköping University
Covid-19 reativa vírus latentes no corpo
O estudo foi liderado pelos professores Anders Rosén e Eirini Apostolou. Foto: Anna Nilsen/Linköping University

Síndrome da fadiga crônica

Médicos e cientistas da Universidade de Linkoping, na Suécia, encaixaram mais uma peça do quebra-cabeças que representa nossa compreensão sobre as causas da covid-19 se agravar, da chamada “covid longa” e das perspectivas de se chegar a um diagnóstico.

Eirini Apostolou e seus colegas partiram de uma outra doença, chamada “encefalomielite miálgica”, ou “síndrome da fadiga crônica” (EM/SFC), cujos principais sintomas são fadiga grave e prolongada, mal-estar pós-esforço, dor e problemas de sono.

As causas dessa condição ainda não são conhecidas com certeza, embora tenha sido estabelecido que seu início, na maioria dos casos, segue uma infecção viral ou bacteriana. A saúde da pessoa afetada não é restaurada mesmo após a infecção original ser resolvida.

De fato, a condição às vezes é conhecida por seu nome alternativo: Fadiga pós-viral. Como a causa não é conhecida, não existem testes de diagnóstico para a condição.

O que os pesquisadores suecos descobriram é que a covid-19 reativa outros vírus que já estavam em nosso corpo, mas se tornaram latentes nas células após aquelas infecções terem sido curadas. E isso ocorre de modo particularmente forte em pessoas que já haviam sido acometidas com a EM/SFC (síndrome da fadiga crônica).

Efeito dominó da covid

A equipe convocou 95 pacientes diagnosticados com síndrome da fadiga crônica e 110 controles saudáveis para participar do estudo.

Aproximadamente metade dos participantes foram infectados com SARS-CoV-2 durante a primeira onda da pandemia e desenvolveram covid-19 leve (58% daqueles com síndrome da fadiga crônica e 41% do grupo controle). Em mais de um terço dos casos, a infecção foi assintomática, de modo que a pessoa não estava ciente da infecção.

Depois que a infecção por SARS-CoV-2 passou, no entanto, os pesquisadores detectaram anticorpos específicos na saliva que indicavam que três vírus latentes haviam sido fortemente reativados no corpo dos pacientes, um deles sendo o vírus EBV (Epstein-Barr), que está presente em virtualmente todas as pessoas. A reativação foi observada tanto em pacientes com síndrome da fadiga crônica quanto no grupo controle, mas foi significativamente mais forte naquele primeiro grupo.

Pessoas infectadas com EBV na adolescência podem desenvolver febre glandular, comumente chamada de mononucleose, ou “doença do beijo”. O vírus então permanece em uma condição latente no corpo. O vírus EBV pode proliferar em situações em que o sistema imunológico está comprometido, causando fadiga, respostas autoimunes e aumento do risco de linfoma, se ele não for novamente tratado.

Com a covid-19, tudo acontece de modo parecido a um efeito dominó: A infecção por um novo vírus, o SARS-CoV-2, pode ativar outros vírus latentes no corpo, o que, por sua vez, dá origem a uma reação em cadeia com uma resposta imune elevada. Isso pode ter consequências negativas, uma das quais é que o sistema imunológico ataque certos tecidos, como o tecido nervoso.

Estudos anteriores também mostraram que as mitocôndrias, que produzem energia nas células, são afetadas, o que suprime o metabolismo energético de pessoas com síndrome da fadiga crônica.

“Outro resultado importante do estudo é que vimos diferenças nos anticorpos contra os vírus reativados apenas na saliva, não no sangue. Isso significa que devemos usar amostras de saliva ao investigar anticorpos contra vírus latentes no futuro,” disse o professor Anders Rosén.

Checagem com artigo científico:

Artigo: Saliva antibody-fingerprint of reactivated latent viruses after mild/asymptomatic COVID-19 is unique in patients with myalgic encephalomyelitis/chronic fatigue syndrome
Autores: Eirini Apostolou, Muhammad Rizwan, Petros Moustardas, Per Sjögren, Bo Christer Bertilson, Björn Bragée, Olli Polo, Anders Rosén
Publicação: Frontiers in Immunology
DOI: 10.3389/fimmu.2022.949787

Via: Diário da Saúde

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