Campinas, 250 anos: mapa mais antigo revela área urbana no século 19 e ajuda dimensionar expansão da metrópole

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Historiadores explicam como mapas de diferentes épocas mostram a expansão com a criação de novos bairros. Campinas 250 anos: mapas históricos mostram expansão urbana da metrópole
Campinas (SP) chega aos 250 anos como uma metrópole de 1,1 milhão de habitantes dona da 10ª maior área urbanizada entre os municípios brasileiros. No entanto, o mapa mais antigo que se tem notícia, de 1878, mostra que a Campinas do século 19, embora em forte crescimento pela força do café, passaria quase que desapercebida se comparada com as plantas atuais.
Campinas nasceu à beira de um caminho que conectava o litoral do território paulista ao interior do continente, a Estrada dos Goyases, que transportava as riquezas encontradas no que atualmente é conhecido por estado de Goiás.
O povoado foi crescendo aos poucos e logo surgiram os primeiros arruamentos em volta de onde ocorreu a primeira missa, e a partir daí a cidade, fundada em 14 de julho de 1774, foi se transformando.
O g1 conversou com os historiadores Mirza Pellicciotta e Américo Baptista Villela para entender como o estudo de mapas históricos pode ajudar a compreender o crescimento da metrópole.
“Se em 1878 a malha urbana começa a se estruturar em torno das companhias ferroviárias que haviam se instalados no município, em 1984 ela já denota outro momento no qual o modal passa a ser transporte rodoviário”, diz Américo Baptista Villela, historiador no Museu da Cidade de Campinas.
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Mapa atual de Campinas (SP) e, em destaque, planta mais antiga conhecida, da área urbana em 1878
Reprodução/Centro de Memória da Unicamp
Mapa mais antigo
Os historiadores contam que a leitura dos vários mapas da cidade permitem compreender os movimentos de crescimento da malha urbana, bem como as mudanças de matriz de transporte.
O mapa mais antigo conhecido da cidade é de 1878, e nele é possível encontrar não apenas as principais ruas, como o ordenamento urbano que ocorreu com a instalação dos trens a partir do início da década de 1870.
“Então é o mapa de 1878, ele é estratégico, porque a gente vê essa Campinas em forte expansão enriquecida pelo café com investimentos na área urbana que estão vindo do capital agrário”, diz Pellicciotta.
Planta da cidade de Campinas de 1878
Centro de Memória da Unicamp
A partir deste mapa, Mirza aponta que os mapas seguintes mostram as transformação de traçados e expansão contínua com criação de “novos bairros, novos eixos de circulação, novos grupos sociais se estabelecendo”.
“A cidade que parecia contida entre a Catedral Metropolitana e a estação ferroviária delimitadas no formato que aparece nesse mapa [1878] já capta uma cidade em construção que ganha um traçado reticulado, diferente dos primeiros arruamentos que eram irregulares e seguiam as curvas do terreno”, explica.
Além disso, os historiadores apontam outras mudanças que se sobressaem a partir das reformas urbanas que vieram como resposta às recorrentes epidemias de febre amarela.
Planta da cidade de Campinas de 1900
Câmara Municipal de Campinas
As novas dimensões sanitárias transformaram ruas estreitas do centro em avenidas, e o novo padrão de localização do cemitério, com a criação do Cemitério da Saudade, ajudou a configurar outra região da cidade.
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Planta da cidade de Campinas de 1973
Centro de Memória da Unicamp
De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Campinas possui um território de 794,571 km², sendo que a área urbanizada totaliza 245,14 km², o que a coloca como a segunda do estado, atrás da capital, e a 10ª do Brasil.
O último Censo, de 2022, aponta que a metrópole possui 1.139.047 habitantes, e uma densidade de 1.433,54 habitante por quilômetro quadrado.
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