Ator transforma quintal de casa em palco para levar teatro aos vizinhos na Zona Oeste do Rio

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Inspirado pela obra de Miguel de Cervantes, ele apresenta o monólogo ‘Jão Queixote, Semente e Fruto’. Ator transforma quintal em teatro para democratizar acesso à cultura aos vizinhos
Um ator resolveu transformar o próprio quintal de casa, em Paciência, na Zona Oeste do Rio, em palco para democratizar o acesso ao teatro. O projeto “Teatro no Quintal” começou em 2022.
Inspirado pela obra de Miguel de Cervantes, Dom Quixote, ele apresenta o monólogo “Jão Queixote, Semente e Fruto”.
O autor da obra é o próprio ator que a interpreta. Sidcley Batista também é professor de história e busca viver arte em tempo integral.
“Na pandemia, e o projeto começou em 2022, pensando em maneiras de continuar fazendo teatro, se manter vivo. E o teatro, para existir, não precisa de um palco tradicional. Ele precisa ter um ator, uma história e plateia. Tinha o ator, a história, precisava da plateia. Eu chamei os meus vizinhos e trouxe para o meu quintal. Assim nasceu o projeto”, explicou Sidcley.
O projeto também ajuda a minimizar os riscos da produção de uma peça pelos meios convencionais.
“A gente que faz teatro fica em uma correria atrás de pauta, de um espaço para poder apresentar, onde você tem gastos certos e você não tem um retorno financeiro, a dificuldade em levar público”, destacou o ator e autor.
Sidcley Batista apresenta a peça ‘Jão Queixote’ em quintais para democratizar acesso à cultura
Reprodução/ TV Globo
Quem acompanha o projeto aprova a iniciativa.
“Eu amei demais porque eu jamais iria no Centro para ir ao teatro. E tivemos no nosso bairro, no nosso quintal. Foi bom demais”, disse uma espectadora.
Na peça, Jão Queixote vive no sertão nordestino e, por estar se sentindo perdido, vai atrás das origens para tentar descobrir o próprio caminho. O trabalho veio da necessidade do autor de se compreender como artista e saber qual o seu lugar no mundo.
“Eu escrevi essa peça em um momento em que eu estava me perguntando quem eu era e o que fazer da minha vida. Uma pessoa que vive em Paciência, quando toda a área artística é na Zona Sul e no Centro. Então eu tinha que sair daqui para ir para lá. O tempo vai passando e eu me perguntando: ‘Estou fazendo a coisa certa? Estou no caminho certo?’”, disse Sidcley.
O palco se tornou maior do que o quintal do próprio ator. A peça foi apresentada em 12 quintais em 15 apresentações. Ao fim, sempre um bate-papo sobre o trabalho.
Teatro
O bairro de Paciência, onde Sidcley vive, não tem teatro. O mais próximo fica 10 quilômetros distante, em Campo Grande. É o Teatro Arthur Azevedo, que está em obras.
Outra opção é a Lona Cultural Gilberto Gil, em Realengo, também na Zona Oeste da cidade, que fica a quase 30 quilômetros de distância.
A ideia é levar o teatro a quem não tem acesso a bens culturais com facilidade.

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